Obra do Gato do Luar

O Gato do Luar nasceu do meu reencontro com a arte. Eu sempre senti que criar era parte de quem eu sou.

Precisei amadurecer, experimentar caminhos e viver processos até entender que a pintura não era apenas uma vontade — era minha forma de existir no mundo.

O nome carrega muito da minha essência. O gato representa independência, sensibilidade e inteligência; a lua simboliza fases, crescimento e transformação. Essa ideia de ciclos guia minha trajetória e também cada obra que produzo: nada é estático, tudo está em constante evolução.

Minha arte é profundamente conectada com Salvador, com o Nordeste e com a valorização da beleza negra. Retrato paisagens, memórias, identidades e símbolos que contam histórias minhas e coletivas. A chita se tornou um elemento marcante do meu trabalho por traduzir ancestralidade, cor e pertencimento, reforçando minha regionalidade e minha voz artística.

Um dos pilares do Gato do Luar é a sustentabilidade. Muitas das minhas telas nascem de madeira reaproveitada, MDF e materiais que seriam descartados. Eu transformo aquilo que foi esquecido em arte, tratando cada peça com cuidado para garantir durabilidade e qualidade. Para mim, criar também é um ato de consciência.

Cada obra é feita à mão, carregando pequenas marcas que a tornam única. Eu não vejo minhas peças apenas como decoração — elas são experiências visuais, afetivas e simbólicas, pensadas para transformar ambientes e provocar conexão.

Hoje sigo construindo o Gato do Luar como extensão da minha identidade: uma artista que mistura memória, cultura, sustentabilidade e expressão para contar histórias através da pintura. Minha arte é meu movimento, minha voz e meu convite para que as pessoas enxerguem beleza, força e significado em cada detalhe.

Cada peça é produzida de forma artesanal, respeitando o tempo e a história de cada material. O processo começa com o recolhimento de madeiras reaproveitadas, que passam por uma seleção cuidadosa. Nem toda madeira vira obra: escolho aquelas que têm boa estrutura e personalidade.

Depois da escolha, a madeira é limpa, tratada e preparada manualmente, garantindo resistência e durabilidade. Em seguida, aplico tecidos de chita, que dão identidade, textura e ligação direta com a cultura popular.

A pintura é feita à mão, com calma, usando tinta acrílica ou a óleo, construída em camadas. Cada etapa pede tempo de secagem e observação, permitindo que a obra se desenvolva no próprio ritmo.

A finalização inclui detalhes manuais, como aplicações douradas e outros acabamentos, que protegem a peça e valorizam o visual. Esse cuidado final garante que o quadro esteja pronto para durar e ser vivido.